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quarta-feira, 9 de maio de 2018

Crônica - Os filhos como desculpa

Olá pessoas queridas!
Saudades das crônicas? então vai aí um assunto que me colocou para pensar nas últimas semanas: o uso que os adultos fazem dos filhos como desculpa.

Os filhos como desculpa

A vida de um ser humano é um ciclo. Infância, adolescência, fase adulta, meia idade e velhice. O problema é que parecemos nunca estar contentes com o estado atual.
Quando crianças lutamos para nos tornarmos adultos, porém quando adultos, passamos a temer a velhice e sonhamos com a volta ao mundo infantil.

Uma das fases mais difíceis acontece na passagem dos 20 para os 30 anos, quando já não somos mais tão jovens e passamos a não querer mais uma vida de festas, bebedeiras e promiscuidade. Já não nos contentamos mais em dormir no chão ou comer qualquer coisa. Queremos segurança financeira e conjugal, mas morremos de medo de admitir isso publicamente.

Sabe aquela vontade de passar o sábado em casa, devorando um livro ou maratonando uma série? Coisa de gente velha! Voltar cedo para casa após aquela reunião de amigos? Coisa de gente sem energia...

É nessa fase da vida que muitos de nós também iniciamos a vida de mães e pais. Quando as nossas prioridades são substituídas pelas deles. E é aí que surge a oportunidade perfeita para não se assumir: basta jogar a culpa nas crianças!

Não quer ir naquele churrasco na chácara? Culpe a logística de carregar uma criança? Chegou atrasado no evento porque estava cansado e dormiu um pouco mais? Diga que seu filho se sujou e precisou limpá-lo. Quer ir embora cedo sem parecer chato e ainda pagar de responsável? Diga que seu filho está dando trabalho.

É claro que a vida com as crianças exige um trabalho antes inexistente. Bebês modernos necessitam de toneladas de tranqueiras que exigem uma mala maior do que você, os pequeninos entre os 3 e os 7 anos têm uma energia difícil de controlar e os adolescentes saber como ser insuportáveis e inconvenientes.

Mas isso facilita aquele convite para o amigo do tipo: "não vou à sua casa para não te dar trabalho. Venha você aqui". 

Isso se intensifica quando a pessoa não tem filhos, como é o meu caso. As pessoas com filhos acham que a minha vida é um enorme paraíso e que tenho vontade de sair o tempo todo, afinal não tenho filhos para "destruírem" o meu lazer.

Talvez esteja na hora de a sociedade aceitar melhor as mudanças de idade e não encarar esses sinais de que os anos estão passando de uma forma tão negativa.

E vocês, o que acham?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Resenha - Filhos do fim do mundo de Fabio M. Barreto

Altos e Baixos:

Foram as sensações que se apoderaram do meu ser durante a leitura desse livro. Por vezes me empolgava e não via a hora de saber o que viria depois e por outras, sentia que a leitura se arrastava.

Filhos do fim do mundo é uma ficção em que todas as crianças de até um ano morrem misteriosamente e todas as que nascem, já o fazem mortas. O livro explora as reações humanas a esse "apocalipse"

A primeira impressão que tive é que não estava gostando muito por não ser pai. Eu não me identificava com o repórter porque não conseguia imaginar exatamente o desespero dele em resolver o problema antes que sua mulher grávida desse a luz.

O autor conseguiu me fisgar de volta ao envolver um cão, ser com o qual me identifico muito mais e assim o livro foi, ora agradando, ora nem tanto.

Interessante comentar que o detalhe que parece ter irritado um monte de gente, não me fez diferença. Em "Filhos do fim do mundo" os personagens não tem nome, são identificados por suas profissões ou papel na história. Eu, que gosto de esteriótipos achei legal, podia imaginar cada personagem por alguma imagem que já trazia na memória.

O que me incomodou um pouco mesmo foi a ação. O autor inseriu muitos momentos de adrenalina, com cenas bastante agitadas e violentas, talvez para atrair o público que quer ação, mas eu gostei mais das partes dramáticas, de como cada um se sentia diante do apocalipse.

Outro detalhe que me incomodou um pouco foi o aparente excesso de personagens. Como não haviam nomes, ficava um pouco difícil de entender quem importava e quem era apenas um figurante. Cito a fã como uma personagem que ganha uma visibilidade grande, parecendo que se tornará importante, para, de repente desaparecer da história.

Apesar desses pequenos pontos que me desagradaram, é um livro que eu recomendo a leitura. Barreto explora bem a mesquinheza humana e o comportamento em turbas, mostrou o amor de um casal que já está estabelecido e algumas relações familiares interessantes.

Resumindo é uma obra de altos no drama e baixos na ação, mas me fez passar bons momentos em sua leitura.