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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Crônica - Academia ou curso de Inglês?

Chegamos em fevereiro. A ressaca do ano novo já não é mais desculpa para não fazer nada. O carnaval está aí e, com o seu final, o ano vai finalmente começar.

É nessa hora que você se pergunta qual promessa de ano novo irá tentar cumprir: começar a frequentar a academia ou o curso de Inglês?

Note que a decisão vai passar por uma série de fatores que não são necessariamente lógicos, mas sim sociais.

A academia irá te fazer perder aqueles quilos indesejados a mais e ganhar músculos mais tonificados, tudo para aquela selfie no espelho do banheiro poder ir para as redes sociais com menos filtros.

Já o curso de Inglês pode alavancar aquela promoção ou aquele novo emprego, o que vai ficar lindo no seu Linkedin. Também dá pra colocar umas legendas em outro idioma naquelas fotos de viagem. Não importa se você vai para a Argentina e lá eles falam Espanhol. O que vale é a impressão.

Mas tá chovendo lá fora, apesar do calor, e a preguiça é maior que a virtude. Então é melhor pesquisar online por uma esteira ou bicicleta ergométrica. Põe no pacote também uns potes de Whey, tá todo mundo tomando isso, deve ser bom. E a embalagem vai ficar linda nas fotos.

Aproveita e procura por um curso de Inglês relâmpago, com "professores americanos" que te atendem mesmo quando está de pijama ou apela para aquele método da adolescente que descobriu como aprender um novo idioma em oito semanas e está irritando os cursos de Inglês.

Ah, que bênção que é a tecnologia. Agora você pode aprender Inglês e fazer exercícios sem sair de casa, mas seria bom mesmo se pudesse fazer tudo isso sem sair da cama... mas, espere! Você pode!

A pesquisa agora é por aparelhos que, amarrados ao seu corpo, estimulam sua musculatura e o fazem emagrecer. "Não é feitiçaria, é tecnologia". Aproveita e coloca no pacote o curso de idiomas que você ouve enquanto dorme.

Resolvido! Matrícula feita em ambas: na academia e no Inglês. Tradicionais. Fotos nas redes sociais apertando mãos e assinando contratos. Agora é só pagar em dia e não frequentar enquanto durar o contrato de um ano. Lá por dezembro lembrar-se de colocar críticas aos serviços nas redes sociais por não entregarem o prometido, afinal os quilos a mais permanecem e você continua a não ser poliglota.

Mas o importante é que as promessas de ano novo foram cumpridas.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Crônica - Engolir sapo ou cuspir marimbondo?

É fim de ano. Época de juntar a família e os amigos em perfeita harmonia.

Todos recebem ótimos presentes e saboreiam as melhores refeições para depois voltarem às suas casas felizes e cheios de esperança.
Funciona muito bem nas propagandas de panetone e perfume tão comuns nessa época, pena que na vida real seja um pouquinho diferente.

Pessoas tem sentimentos, ansiedades, angústias, rancores. E todos eles parecem ficar latentes no natal e no ano novo.
Cada um quer as coisas do seu jeito e começa a ficar decepcionado quando vê que não é bem assim, mostrando o seu lado mais egoísta para os outros. 

Nessa hora vem a pergunta que intitula esse texto: Engolir sapos para manter os laços ou cuspir marimbondos para sentir-se aliviado?

Pense na prática social da troca de presentes. Sempre tem alguém que gasta uma fortuna e recebe um par de meias. Ou aquele amigo secreto que parece ter lhe dado o presente que ganhou ano passado e nem se deu ao trabalho de comprar algo. A boa educação nos manda agradecer e ficar calado. 

E quando foi você quem deu o presente e não era o que a pessoa queria? A expressão decepcionada merece uma comentadinha sim, nem que seja um: "se você não gostou pode trocar" só pra ver a pessoa mentindo descaradamente que adorou ganhar uma saladeira. 

Isso dá um alívio, afinal o erro já aconteceu mesmo.

E tem também aquelas visitas que você faz ou recebe. Pessoas que não vê há muito tempo e que se esforçam para se encontrar, embora sempre tenha alguém que não sabe reconhecer. Fica chorando por quem não veio, reclamando que você vem pouco ou vai embora logo.
A esses resta engolir o sapo e resignar-se. No fundo eles reclamam porque queriam passar mais tempo com você.

É nessa época que parentes e inimigos precisam compartilhar a mesma mesa. Os ataques verbais são comuns, a maioria, elegantemente ditos na forma de indiretas. A retórica é o tom da discussão.
Até que alguém fica ofendido e começa a cuspir um ninho inteiro de marimbondos deixando o ambiente pesado para a maioria dos inocentes que ali estavam apenas para celebrar.

Bêbados, ausentes, mau humorados, sentimentais, piadistas sem graça. Todos esses personagens se reencontram nessa época para desgraçar as vidas uns dos outros, mas faremos tudo de novo no ano que vem, afinal, todos adoram esse período de festas...

E lá se foi mais um anfíbio goela abaixo.