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domingo, 24 de dezembro de 2017

Crônica - Estar feliz

Então é Natal!

Por todo o mundo, as pessoas estão correndo com os preparativos para a "noite feliz". 

Enquanto isso, essas mesmas pessoas brigam pelo presente mais caro, disputam a atenção da família e amigos, discutem pela coxa do chester.

O Natal vai passar e ficarão as mágoas de quem não veio nos visitar e os presentes errados para trocar após o ano novo.

Mas será que só podemos ser felizes durante datas especiais? Datas que foram dominadas pelo comércio e nem sabemos ao certo o que estamos realmente celebrando?

Olho para o meu cachorro e encontro a resposta.

O cão não precisa de presentes caros, da roupa mais bonita ou de comida com uvas passas.

O cão está feliz quando tem qualquer coisa para comer, qualquer cantinho limpo e seco para dormir. O cão está feliz quando o dono está com ele.

Então paremos para pensar em que estamos depositando a nossa felicidade... num celular novo? aquele que custa 2000 reais? numa peça de roupa que, graças a uma etiqueta, nos torna melhores do que ou outros, mas que irá perecer em pouco tempo?

Claro que é difícil estar feliz quando se está com fome, sujo ou completamente sozinho. Por isso sugiro um exercício simples para testar se temos o suficiente para estarmos felizes. Responda a essas perguntas:

1 - Você tem um teto para dormir? Uma cama limpa?
2 - Você tomou um banho decente nas últimas 24 horas?
3 - Você se alimentou de forma satisfatória hoje?
4 - Você tem pelo menos um amigo que se importa com você? vale cachorro.

Se você respondeu "sim" a todas essas perguntas, então há motivos de sobra para que se sinta feliz. A vida lhe agraciou com todo aquilo que necessita para sobreviver dignamente.

Agora pense naqueles que responderiam "não" a pelo menos uma dessas perguntas. Responderiam, já que eles provavelmente não terão acesso a esse texto. Coloque-se no lugar deles por um minuto e perceba o quanto a vida lhe foi grata.

Eu poderia terminar desejando-vos um feliz Natal, mas prefiro desejar sabedoria para que vós enxergueis a felicidade sozinhos.

Abraços!

Dan Folter

domingo, 8 de maio de 2016

Crônica - Dia das mães, dia da família ou dia de ninguém

Você sabia que na maioria das escolas públicas brasileiras o dia das mães não é mais comemorado?
Em seu lugar foi instituído o dia da família. É isso mesmo, afinal, nem todas as crianças tem mãe, já que algumas são órfãs, outras são criadas por família um tanto modernas.

Essa atitude considerada humanizada por pedagogos e outros "entendidos" do assunto foi a forma encontrada para não entristecer aqueles que não tem mãe. Eles poderiam ficar complexados, sendo deixado de lado.

Seguindo esse raciocínio onde a minoria não pode ser prejudicada, eu venho aqui sugerir algumas mudanças no calendário de datas comemorativas.

O dia dos pais deve ser abolido, afinal, os homens já mandaram e desmandaram por tempo demais, oprimindo as mulheres. E eles podem aproveitar o dia da família.

O dia das crianças será rebatizado de o dia do ser humano e todo mundo ganha presente, assim ninguém fica triste.

O dia dos namorados será abolido porque quem não está em um relacionamento pode sofrer uma terrível depressão e resolver se matar.

Todos os feriados religiosos devem ser abolidos até o dia em que toda a raça humana siga a mesma religião ou nenhuma. Comemorações de qualquer tipo são uma forma de opressão contra as minorias.

As competições esportivas também são absurdas e devem ser imediatamente modificadas. Vinte times disputando um campeonato para apenas um campeão e dezenove derrotados é uma conta que não fecha. A copa do mundo também é uma grande injustiça com apenas trinta de dois participantes e só um campeão. A partir de agora os jogos serão simbólicos e todo mundo ganha medalha, assim ninguém fica triste.

Vamos eliminar também todos os exames admissionais para as faculdades, assim nem serão necessárias as cotas. O novo processo consistirá de uma entrevista com cada candidato que deve apenas escrever (se souber) o nome da profissão escolhida e esperar alguns minutos pelo certificado.

Teremos uma sociedade formada apenas por médicos, engenheiros e advogados, só não sabemos quem vai servir o café...