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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Crônica - Positivismo é irritante

Ser positivo é uma coisa boa, certo?

Diz uma certa teoria que os pensamentos tem a capacidade de atrair energias semelhantes, sendo assim, ao vibrar em boas energias, podemos trazer a nós as benesses desse mundo.

Apesar do meu ceticismo quanto à essas teorias, acredito que não há problema em vibrar positivamente, a questão é quando isso é feito de forma exagerada, não-natural.

Tomemos o caso de uma certa empresa e seu departamento comercial: Alguém achou uma boa ideia que o "bom dia" aquele cumprimento cordial de nossas manhãs precisasse ser dado aos gritos.

Isso mesmo. A pessoa que acaba de chegar ao recinto berra com todas as suas forças, assustando todos os seres vivos no raio de um quilômetro.

Me imagino trabalhando nesse departamento e chegando naquele dia meio ruim, aquele pequeno mal humor que passa rápido e sendo recepcionado com uma histeria coletiva de "bom dias"

É esse mesmo positivismo que vejo em algumas pessoas ditas "espiritualizadas". São aquelas pessoas meio "bicho-grilo", que não fazem mal a ninguém, é verdade, mas que enxergam qualquer coincidência como uma obra divina que, necessariamente, irá nos levar a um lugar melhor.

É algo como: Veja! estamos ambos de verde e, como verde é a cor da esperança, o nosso dia será uma maravilha!

Me imagino entrando naquele ônibus lotado as sete da manhã e abordando todas as pessoas que estão com a mesma cor de roupa, apenas para comunicar-lhes que vibramos na mesma energia e todos teremos um dia espetacular.

Talvez os deputados deveriam ir ao plenário todos com a mesma cor, acenderem um incenso de citronela e ler um livro de auto-ajuda no palanque. Isso sim resolveria os problemas do Brasil.

Acredito que a felicidade é um estado temporário, assim como a tristeza. Se você vive em constante positivismo, deixa de comemorar quando algo bom realmente lhe acontece e acaba por não perceber a diferença, vivendo num constante estado de torpor auto-induzido.

Para compreender melhor sobre o assunto, sugiro que assistam à excelente animação "Divertidamente" (Inside out) lançada em 2015.

Desejo um bom dia (falado em tom baixo, porém sincero) para todos vocês que leram até o final.

sábado, 24 de setembro de 2016

Semelhanças entre Stranger Things e O Mistério de Boa Esperança

Finalmente terminei de assistir a maravilhosa primeira temporada do seriado Stranger Things, produzido pela Netflix.

Já havia ouvido falar de todo o climão anos 80 e das influências de Stephen King, mas o que realmente me surpreendeu foram as semelhanças com a obra escrita por mim, O Mistério de Boa Esperança.

Antes que alguém diga que eu copiei o seriado, o livro saiu antes e ideia original é de 20 anos atrás.

Também não dá pra dizer que se inspiraram em minha obra, já que eles (ainda) não ouviram falar do livro.

Uma grande amiga me diria que está tudo disponível no inconsciente coletivo e que ambos bebemos das mesmas fontes.

Não, não quero elevar a qualidade da minha obra ao nível de genialidade desta série, apenas apontar algumas coincidências, portanto não me chamem de pretensioso.

Vamos lá:

Começando com o plot prinicipal. Ambas histórias são motivadas 
por um desaparecimento. Um menino na série e uma moça no livro.

Apesar de os personagens desconhecerem seus paradeiros, os espectadores/leitores recebem constantes informações, embora insuficientes para entender todo o plot.

As duas histórias envolvem quatro amigos tentando fazer de tudo para resolver um problema. Não que isso seja novidade, vide Goonies ou Stand by me. Cada um dos quatro meninos tem traços de personalidade que, juntos, se completam assegurando que exista de tudo um pouco.

Ambas se passam em cidades isoladas do interior. Ótimo recurso para esconder-se das autoridades. E mesmo quando as autoridades são envolvidas, elas não são confiáveis.

Nos dois casos, o sobrenatural entra em cena como possível explicação para fatos que ninguém está conseguindo explicar.

Ambas obras apresentam uma grande conspiração que é descoberta aos poucos graças aos esforços daquele improvável grupo de heróis.

Nas duas histórias, o grande vilão tem um envolvimento emocional bastante distorcido com com uma personagem feminina.

Tanto o livro quando a série apresentam uma resolução satisfatória, embora deixem um gancho para uma continuação. Já sabemos que Stranger Things terá uma nova temporada, embora O Mistério de Boa Esperança tenha sido concebido como um livro único.

Espero que tenham gostado de como brincamos com essas coincidências e aproveitem para ler o livro e assistir a série. Ambos valem muito a pena.