segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Leituras do ano e TAG dos 100% - T01E16

Sejam bem-vindos a mais um vídeo do canal Desinformadoss.



E hoje falamos das leitoras de 2018 com estatísticas interessantes e ainda respondemos à algumas perguntinhas da TAG dos 100%







Não se esqueçam de curtir o vídeo, compartilhar com os amigos e se inscrever no canal



Abraços



Dan Folter

sábado, 8 de dezembro de 2018

Análise Literária - Avassalador de Josiane Veiga

Olá meus caros desinformadoss. Tudo bem por aí? Espero que sim!

Faz tempo que eu quero ir um pouco além da resenha, então criei a sessão "Análise Literária" onde vamos destrinchar uma obra de forma um pouco mai técnica. Se você é escritor, uma boa oportunidade para compreender melhor esse nosso mundo literário, se você é só leitor, uma ideia melhor sobre a análise de obras além do "gostei" ou "não gostei".

E a primeira obra que irá inaugurar o novo modelo dessa sessão é Avassalador da escritora brasileira Josiane Veiga.

Essa é a segunda obra que leio da escritora. A primeira, Esmeralda, foi resenhada e o resultado você podem ver aqui: http://desinformadoss.blogspot.com/2017/01/resenha-esmeralda-de-josiane-veiga.html

A análise irá dar uma nota de 0 a 5 para cada item com direito a nota e meia. No final chegaremos a uma nota resumida.

* Lembrem-se que essa análise é uma exposição da opinião pessoal do blog e não pretende-se aqui ditar regras. Você pode (e deve) discordar de nós, desde que seja gentil e educado. :-)

Vamos lá:

DADOS TÉCNICOS: 2016, 228 páginas, Independente (Amazon), Josiane Veiga

CAPA

Vários elementos formam a capa de Avassalador: O casal em destaque deixa claro que teremos uma história romântica. As roupas deles e as montanhas ao fundo tentam nos passar que se trata de um romance de época, algo equivalente ao nosso período da idade média.

Já na parte dos caracteres, o/a artista optou por utilizar diferentes tipos de fontes para passar várias informações como o título da história, a informação de que o livro é parte de uma série e a informação de que a autora vende bem na Amazon, para dar aquele "push" nas vendas.

Ficou um pouco poluído, mas chama a atenção, passa a ideia de forma correta e ficou bonita.

Nota 4,0




SINOPSEO amor os destruiu... 

Elisabeth de Brace era descendente direta da antiga e mitológica Rainha Esmeralda. Contudo, não herdou a audácia e a coragem de sua antepassada. Presa num mundo cruel, dada por noiva a um rapaz que não desejava, aceitou a passagem de seus monótonos dias sem reclamações.

Contudo, a desistência do casamento por parte de Andrew Clark, fê-la perceber que as coisas poderiam piorar. 

Para fugir de outro matrimônio, dessa vez com um homem desonrado e repugnante, aceitou deitar-se com um bastardo sem nome, que a levou a uma vida de dissabores e desilusão. 

Joshua, o bastardo, nunca creu que Elisabeth um dia fosse sua. Cumpriu seu papel de amigo na vida dela, honrando-a e amando-a em segredo. Porém, quando ela implorou que a tomasse, ele não pestanejou. 

Entretanto, Joshua não havia nascido para um relacionamento. Além da vida desgarrada, ele não confiava nos sentimentos da esposa, e a torturava com seu ciúme e desconfiança. 

Como o amor entre eles poderia florescer se a dúvida pairava o tempo todo entre ambos? 

Avassalador é um ousado romance sobre as terras do Reino de Bran, mundo criado por Josiane Veiga no sucesso Esmeralda.

A sinopse ficou grande. Mas o maior problema é que ela acaba dando um pouco de spoilers sobre a história. Ela pelo menos informa que o livro se passa no mesmo mundo de outra obra, alertando o leitor para a sequência correta de leitura.
Dando uma enxugada e contando menos da história seria ideal.
Nota 2,5

PÚBLICO-ALVO: Assim como a primeira obra, Esmeralda, Avassalador foca sem dó no público feminino. O envolvimento romântico das personagens é o carro chefe tanto da capa quanto da sinopse. Uma rápida olhadinha no Skoob mostra que a estratégia é acertada já que 99% dos leitores são mulheres.
A obra nem faz muita questão de se apresentar como fantasia, o que importa é mesmo o romance. 
Nota 4,0

TRAMA/ENREDO: A trama entrega o que vende. Casais ficando/não ficando juntos, intrigas, brigas pelo poder. O título Avassalador cai bem porque existem paixões que merecem essa alcunha na obra, a coisa, inclusive fica bastante quente em algumas cenas...

O enredo é redondinho, mas não espere grandes surpresas. As coisas acontecem mais ou menos como o esperado, mesmo com uma reviravolta aqui e ali. Mas não era mesmo de se esperar algo filosófico nesse tipo de história, não é mesmo? 
Nota 4,0 

NARRAÇÃO: Narrado em terceira pessoa por narrador onisciente, avassalador foca nas ações, deixando menos espaço para as descrições, afinal a história precisa andar. Está adequado.
Nota 3,0

VEROSSIMILHANÇA: A autora criou um mundo em Esmeralda e estabeleceu várias regrinhas que respingam nessa história. Apesar de a ela ter colocado uma nota dizendo que esta história pode ser lida sem que se conheça a anterior, se isso for feito, irão aparecer sim coisas sem explicação.
A verossimilhança aqui depende bastante da sequência correta ou o leitor ficará meio perdido em algumas passagens.
Nota 3,0

PERSONAGENS: Um dos pontos altos do livro. Andrew, Elisabeth, Joshua e Anna são quatro pessoas com características bastante distintas e percebe-se bem o quanto as suas personalidades são uma consequência da criação que receberam.

Todas as personagens evoluem bastante durante a trama e conseguem captar a nossa empatia, seja torcendo pelos "heróis" ou agourando os "vilões". Entre aspas porque o papel de algumas dessas personagens pode variar entre esses dois arquétipos durante a história.

É a melhor coisa do livro. Nota 4,5

LINGUAGEM: Avassalador sofre de um problema quase crônico na literatura independente brasileira: a falta de preparação e revisão. O texto tem erros de digitação, ortografia, concordância numa quantidade um pouco acima do que se poderia deixar passar.
Claro que autores independentes não costumam ter orçamento para uma revisão profissional, mas isso prejudica o resultado final da obra.

A autora parece ter tentado usar a linguagem para fazer uma separação entre amor e sexo na obra e, para isso, usou uma linguagem um pouco mais forte para descrever alguns atos sexuais. Pessoalmente eu não gostei muito dessa escolha.
Nota 2,0

DIÁLOGOS: A maioria dos diálogos aparece de forma correta e consegue transmitir bem a fala de cada personagem. A autora não optou por deixar a fala mais formal ou introduzir algo que desse mais vida aos personagens através dos diálogos. 
Nota 3,0

FINAL: Por se tratar de uma obra que tem continuação, as coisas não são totalmente resolvidas em Avassalador, mas todas as personagens principais terminam de forma bastante diferente da que começaram. O destino de uma das antagonistas, premiada com um encontro com uma divindade, ajudou a causar boa impressão.
O final também deixa o leitor curioso pela continuação e isso é bom.
Nota 4,0

CONCLUSÃO: Avassalador é um bom livro, com uma história interessante, uma leitura descontraída e que vai agradar em cheio quem procura um romance com muitas intrigas.

A nota final foi 3,4 e poderia ser bem melhor não fosse os deslizes com o texto.


Agora quero saber de vocês leitores se gostaram desse novo formato e como podemos melhorá-lo.

Um abraço a todos

Dan Folter!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Resenha - Fahrenheit 451 de Ray Bradbury

Olá meus amigos desinformados, tudo bem por aí?

A resenha de hoje é de um clássico, e, com ele, eu termino a leitura da grande trinca das distopias. Venha ver o que eu achei de Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

CAPA: 


Capa da mais recente edição da Biblioteca Azul, um subgrupo da editora globo. Nela, um bombeiro sem rosto, oculto talvez pelas chamas que ele mesmo causou...

SINOPSEEscrito após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1953, Fahrenheit 451, de Ray Bradubury, revolucionou a literatura com um texto que condena não só a opressão anti-intelectual nazista, mas principalmente o cenário dos anos 1950, revelando sua apreensão numa sociedade opressiva e comandada pelo autoritarismo do mundo pós-guerra. Agora, o título de Bradbury, que morreu recentemente, em 6 de junho de 2012, ganhou nova edição pela Biblioteca Azul, selo de alta literatura e clássicos da Globo Livros, e atualização para a nova ortografia.

A singularidade da obra de Bradbury, se comparada a outras distopias, como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, ou 1984, de George Orwell, é perceber uma forma muito mais sutil de totalitarismo, uma que não se liga somente aos regimes que tomaram conta da Europa em meados do século passado. Trata-se da “indústria cultural, a sociedade de consumo e seu corolário ético – a moral do senso comum”, segundo as palavras do jornalista Manuel da Costa Pinto, que assina o prefácio da obra. Graças a esta percepção, Fahrenheit 451 continua uma narrativa atual, alvo de estudos e reflexões constantes.

O livro descreve um governo totalitário, num futuro incerto, mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instalados em suas casas ou em praças ao ar livre. A leitura deixou de ser meio para aquisição de conhecimento crítico e tornou-se tão instrumental quanto a vida dos cidadãos, suficiente apenas para que saibam ler manuais e operar aparelhos.

Fahrenheit 451 tornou-se um clássico não só na literatura, mas também no cinema. Em 1966, o diretor François Truffaut adaptou o livro e lançou o filme de mesmo nome estrelado por Oskar Werner e Julie Christie. 

DADOS TÉCNICOS: 2012 (1953), 215 páginas, Biblioteca Azul, Ray Bradbury

RESENHA: Fahrenheit 451 é um daqueles clássicos que todos somos recomendados a ler. Também é, ao lado de 1984 de George Orwell e Admirável Mundo Novo de Audous Huxley, considerado parte da santíssima trindade da distopia. Será que é tudo isso?

Uma curiosidade é que o nome do livro se refere à temperatura da queima do papel, algo em torno de 230 graus Celsius. Outro detalhe, esse pessoal, é que morei durante toda a minha infância e adolescência numa casa com o numeral 451. Acho que é o destino...

UMA METÁFORA FORTE: Imagine um mundo onde os bombeiros não apagam incêndios, mas os provocam. Imagine agora que esses incêndios têm o objetivo de queimar os livros, esse objeto terrível e perigoso que algumas pessoas insistem em manter em suas casas.

Esse é o mundo onde vive Montag, nosso protagonista, um homem que, como a maioria das pessoas vive no automático, até um dia em que acontece algo diferente e ele desperta, começa a questionar o sistema e resolve fazer algo para modificá-lo.

UM BOM VILÃO: O capitão Beatty, homem que conhece Shakespeare de cor, é o grande vilão dessa trama. E tudo o que ele faz é desconfiar do protagonista. Não poderia ser mais simples e eficiente. Destaque também para o Sabujo, uma espécie de cachorro mecânico capaz de caçar e eliminar suas vítimas.

UMA MULHER VITIMADA PELO SISTEMA: Mildred, a esposa de Montag, é uma personagem bastante interessante, porque é através dela que entendemos como o sistema funciona, por que as pessoas abandonaram os livros e como elas se tornaram vazias. Em uma passagem, Montag pergunta a mulher quando e onde eles se conheceram, mas ela é incapaz de se lembrar, dizendo apenas que isso não tem importância.

CONTROLE:  Toda boa distopia precisa de um mecanismo de controle. Em 1984, temos a severa vigilância do governo, em Admirável Mundo Novo a felicidade proporcionada pelo Soma e em Fahrenheit 451 temos a televisão.
Lançado em 1953 o livro já previa o quanto a televisão, e depois a internet, poderia ser o mecanismo de controle perfeito, tornando a população imbecil e incapaz de perceber aquilo que realmente importa.

Durante a leitura entendemos que os livros não foram proibidos, mas rejeitados, porque nos fazem pensar, e isso nos deixa tristes. O governo nem precisa perseguir as pessoas, já que elas mesmas denunciam os seus vizinhos que têm livros para que estes sejam queimados.

Se em 1984 temos a opressão e em admirável mundo novo temos o circo, aqui temos a perda da esperança como a grande ferramenta de controle. Uma ferramenta poderosa.

GAPS NA TRAMA: A obra aqui citada foi escrita numa máquina de escrever alugada no porão de uma biblioteca. Essa história é contada pelo próprio autor no posfacio desta edição e mostra como ele era talentoso, pois conseguiu escrever uma obra dessa magnitude com pressa. Imagine o que ele teria feito com um computador...

Ele mesmo teve ciência, muitos anos depois, que haviam gaps na trama. Faltaram explicações para a motivação do vilão e para o acontecimento envolvendo a vizinha que Montag conhece logo no começo do livro. O próprio autor pensou em acrescentar esses detalhes à obra posteriormente, mas achou melhor deixá-la como nasceu, mesmo com esses pequenos defeitos.

Ele inclusive reclama, ao meu ver com razão, da chatice politicamente correta que o nosso mundo se tornou, onde grande obras como esta deixam de ser apreciadas por este ou aquele pequeno defeito.

Eu estava disposto a criticar aqui algumas partes do texto, principalmente até a metade do livro, que achei confusas, mas me rendi à explicação do autor e também resolvi elevar a nota que daria ao livro.

CONCLUSÃOFahrenheit 451 é uma daquelas obras que deveria ser indicada para leitura em escolas, pois precisamos parar e pensar um pouco mais ao invés de seguir o fluxo, coisa que acontece em demasia nos dias atuais.

É uma leitura bastante rápida e mais fácil de se concluir do que os seus pares citados aqui.

Nota 5,0 no Skoob porque os clássicos merecem respeito!

Leia se você quer sair dessa imobilidade, melhorar o seu senso crítico e ainda se divertir.

Não leia se você for um chato e só estiver à procura de defeitos.


Abraços

Dan Folter

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Crônica - Um pouco de água

Recentemente tenho tido o privilégio de trabalhar de casa, com a literatura e suas subdivisões, para alegria imensa do meu cachorro.

Isso significa que agora o telefone e a campainha são duas formas de ver o trabalho ser constantemente interrompido.

Ao telefone as cobranças. Não por mim, mas pelos antigos donos (vários) que estão devendo por aí, fazendo o aparelho tocar nas horas mais impróprias... tipo número 2.

A campainha é menos impessoal; são vendedores, religiosos, pedintes e aqueles que tem "oportunidades" para nos oferecer.  A maioria deles acaba dispensada pela janela mesmo, a não ser aquele senhor que passa vendendo mandioca e alface de uma horta própria.

Mas numa manhã qualquer, um homem tocou a campainha. Ele trazia uma garrafa pet nas mãos. Fazia um calor considerável, mais de onze da manhã. O seu pedido? água!

Naquele momento me vi em uma situação complicada: como negar água a um outro ser humano? Mas eu estava sozinho em casa, ele poderia saber disso, poderia ser um golpe, poderia ser um bandido que se aproveitaria da minha bondade para me roubar ou coisa pior.

Pensei em passar a garrafa entre as barras do portão, mas são estreitas demais. Meu corpo tremia entre o medo e a vontade de ajudar.

Abri o portão, peguei a garrafa correndo, tranquei o portão e a abasteci na torneira. Senti a garrafa quente. A água dos canos estava aquecida pelo calor. Joguei-a nas plantas, peguei outra da geladeira e transferi para a pet, metade da água se perdia na minha tremedeira.

Voltei ao portão, garrafa em mãos, não mais vi o homem. Mais medo. Ele se sentara na calçada. O chamei. Ele pegou a água, agradeceu e foi embora.

E eu voltei para dentro desejando viver em um mundo onde possamos dar água para um estranho sem que sintamos medo...

YouTube - Resultado do sorteio de 100 inscritos no canal

Resultado do primeiro sorteio do canal. Confere lá se você foi a(o) vencedor(a) ou se inscreva para participar dos próximos.







Abraço!



Dan Folter

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Youtube - Como ser um escritor independente - T01E15

Tem vídeo novo no canal Desinformadoss.
Venha saber tudo sobre publicação independente e conheça minha obra "Natureza Humana"









Aproveite para se inscrever no canal e concorrer a sorteios!!!



Corre lá!



Dan Folter

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Resenha - Ressurreição de Machado de Assis

Olá meus amigos desinformados, tudo bem por aí?

A resenha de hoje é de um clássico, mas também de um livro desconhecido do grande público: Ressurreição de Machado de Assis.

CAPA: 


Não tem como julgar a capa de um livro que teve mais de trinta edições, então escolhi uma que representa bem tanto a história, quanto a época. Além de ter uma cara de envelhecida.

SINOPSERessurreição é a primeira tentativa de romance de Machado de Assis. Publicado em 1872, na fase final do romantismo brasileiro, a grande novidade do livro não estava em preocupar-se com a análise de temperamentos e caracteres, mas em ser o primeiro, pelo menos, que com este só propósito se escrevia entre nós.

DADOS TÉCNICOS: 1872, 166 páginas, em domínio público, Machado de Assis

RESENHA: Ressurreição é o primeiro romance publicado pelo grande Machado de Assis e a publicação é de 1872, o que dá quase um século e meio de existência.
Mas a idade avançada não é sinônimo de notoriedade, pelo menos não do grande público. Eu mesmo não tinha conhecimento da obra até adquirir a coleção completa do autor e resolvi lê-la sem saber ao certo do que se tratava.

DO ROMANTISMO (SÓ QUE NÃO): Pela época em que foi lançado, Ressurreição deveria ser uma obra romântica (não amorosa, mas pertencente ao movimento), mas o próprio autor já faz questão de nos avisar que não faria isso em sua primeira, pasmem, tentativa, de escrever um romance.
Então não esperem por amores avassaladores, mas por uma trama que flerta muito mais com o realismo ao tentar analisar o caráter dos personagens ao invés de deixá-los serem movidos pelo amor.

TEM ROMANCE SIM: O parágrafo acima pode dar a impressão de que Ressurreição não é uma história de amor, mas é. O que muda é a forma como o autor coloca a lente sobre os personagens, analisando suas motivações e psicológicos.
Mas, basicamente, é sim um livro sobre relações amorosas.
A TRAMA: Félix é um homem que se orgulha de não ser controlado por seu coração. Ele se achava capaz de encerrar um relacionamento sem que isso o causasse danos. Isso mudará quando o médico conhece uma viúva chamada Cecília e se encanta por ela.

Só que Félix parece temer tanto a possibilidade de um relacionamento duradouro que irá se auto sabotar e colocar em risco essa união.

A situação fica ainda mais complicada quando tanto ele quanto Cecília têm outros pretendentes que podem ajudar ou atrapalhar tudo dependendo do ponto de vista.
PISTAS:  Ressurreição é apenas o primeiro livro de Machado de Assis, mas já conta com uma qualidade bastante alta, seja na trama, seja na qualidade literária.
É bastante interessante já notar, embora em doses menores, alguns dos trações que marcaram o autor mais tarde, como falar diretamente com o leitor e usar certa ironia.
O personagem Félix e sua desconfiança em relação à fieldade da viúva também me fez pensar em um outro personagem mais famoso do mesmo autor. Bentinho, que parece um Félix mais exagerado.

ACHEI UM ERRINHO: A vida de um escritor é dura ao ler algo tão bom e que foi apenas um primeiro livro, mas eu confesso que fiquei com uma pitada de realização pessoal ao encontrar um pleonasmo na obra.
Numa determinada parte, a descrição indica que o personagem irá "entrar para dentro", o que, apesar de não estar errado gramaticalmente, é um vício de linguagem a ser evitado.

Se você, como eu, batalha nessa área das letras, saiba que até o grande Machado de Assis cometeu um deslize um dia. Foi de leve, mas conta rsrsrs.

CONCLUSÃO: Ressurreição é uma mostra bastante poderosa de tudo aquilo que o autor viria a se tornar. É uma história muito bem construída e com um final bastante surpreendente, principalmente para a época.
Claro que o português mais antigo dificulta um pouco a leitura, mas se você tem um Kindle como eu, com um dicionário integrado, fica bem mais fácil de checar aquelas palavrinhas que não foi possível matar pelo contexto.

Pretendo ler toda a obra do autor e sempre contar para vocês o que achei de cada um deles.

Nota 4,0 no Skoob para um livro que nem parece um romance de estreia.

Ahhhh: E se você gosta de Machado de Assis, dá uma passadinha lá no nosso canal do YouTube e assiste o que eu falei sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas.



Abraços

Dan Folter