terça-feira, 29 de maio de 2018

Resenha - Tenebris (o fim é apenas o começo) de Erika Gomes

Salve galera.

Como vocês podem ver algumas leituras que eu havia começado foram se encerrando, então bora colocar mais resenhas no ar. Dessa vez o escolhido foi Tenebris (O fim é só o começo) da escritora brasileira Erika Gomes

Capa:


Capas legal mostrando a dicotomia céu/inferno retratada na história. Promissor...

SINOPSEAté o Diabo pode surpreender... 


Há muito, Lúcifer não é “aquele que traz a aurora”, como seu nome sugere. Desde que liderou a rebelião contra seu Criador, foi condenado a Sheol, o inferno, onde instaurou seu próprio reinado. Muitos o seguiram porque acreditaram nele, tornando-se seus serviçais ou aliados. 

No entanto, Lúcifer sentia-se sozinho e cansado. Depois de trair Deus, sentia falta dele, de sua essência celestial e de uma razão verdadeira para sua existência. Seria possível que um dia retornasse? 
Conhecido como Heylel, na Terra, Lúcifer encontrou alguém que mudou seus sentimentos. Anna, uma bela mulher, que lhe ensinou o amor e lhe presenteou com uma filha. Amou ambas com todo seu coração, mas nem sempre é possível viver o que se deseja. 
Heylel não é humano e sua alma desvirtuada não é divina. Ele é o Senhor de Sheol, e seus demônios não estão contentes com a passividade do líder. 
Uma guerra se aproxima e Heylel precisará envolver nela seu bem mais precioso. Sua família.

DADOS TÉCNICOS: 2017, 319 páginas, Independente, Erika Gomes

RESENHA: Mais uma autora nacional chega até as minhas mãos graças a uma promoção da Amazon. Vi a sinopse que deixa claro se tornar de uma fantasia e li várias resenhas dizendo maravilhas da obra. Resolvi apostar, mas... achei meio fraco e, em seguida, vou explicar os porquês.

FANTASIA ADOLESCENTE: Lauren (ou Naiara) é uma adolescente de 17 anos que se sente diferente dos outros e não se encaixa nem na escola nem com a família.
Ela ama a mãe e reclama do pai (um pastor cristão) por ser ausente e dar mais atenção à igreja do que à família.
A única pessoa que parece entendê-la é o amigo, Gabriel. Um rapaz bastante compreensivo e que parece até apaixonado por ela.
"porém a vida é uma caixinha de surpresas e, numa bela manhã de sol" ela descobre que é filha de Lúcifer! Isso mesmo, Satan, que no livro se chama Heylel.

TRAMA: A história segue a receita clássica da jornada do herói e os passos estão todos lá. Desde o começo da história já fica clara a passagem dela de "maria-ninguém" para Bam-bam-bam dos infernos (literalmente).
Faltam surpresas, infelizmente as construções são bastante fracas e óbvias.

ROMANCES: A parte mais desgastante do livro é a parte romântica. Lauren conhece Agares, o demônio-bonitão-musculoso-charmoso-pegador e se apaixona por ele, ou não, já que a relação acontece de forma carnal e não sabemos direito se ela gosta mesmo de Agares ou do amigo Gabriel.
Da metade para o fim, Gabriel, que era o melhor amigo e super importante para ela, já foi completamente esquecido e ela e Agares se chamam de namorados.
Isso até aparecer um outro demônio (do nada) dizendo que eles estão marcados para ficarem juntos, o que deixa Lauren irritada à princípio, mas depois ela começa a aceitar de boa.

As prioridades da personagem também são mal retratadas já que mesmo com familiares em perigo, ela esquece rapidinho apenas para dar outra namorada e, nessa hora, o livro deixa de ser uma fantasia, e se foca em narrar as cenas românticas e até um pouco hot da protagonista.

PERSONAGENS: Faltou aprofundamento nas personagens, sendo que a protagonista é a única que tem alguma profundidade, mas pode ser confundida facilmente com a Bela de Crepúsculo, ou seja, uma menina que sai do seu mundinho para uma grande fantasia, mas está mais preocupada em qual namorado vai escolher.

Heylel, o diabo, parece ser um bom personagem, mas nesse livro, já que há continuação, sabemos apenas que ele deixou de ser mau(!) ao se apaixonar por uma mortal e por isso o seu reinado está ameaçado.
Na prática, ele pouco faz e não passa a confiança que se esperaria de um ser dessa magnitude. Achei-o meio frouxo...

A mãe da protagonista (Anna) é outro personagem que talvez seja melhor desenvolvido na sequência. Por ora apenas sabemos que ela também não é como pensávamos que seria.

COADJUVANTES:  A qualidade dos coadjuvantes também não empolga. Gabriel é um grande clichê e é outro que talvez cresça na sequência. Agares é apenas um cara lindo que faz tudo o que a namorada quer, não tem lá muita personalidade e Yekun, o demônio que surge no final ainda é uma incógnita.
Ainda temos uma fada, Elida, onde houve uma tentativa de construir uma personagem interessante e o pai adotivo de Lauren, que serve apenas para instigar ódio aos leitores por suas condutas ausentes e hipócritas.

LINGUAGEM: A linguagem de Tenebris é bastante simples na narração em terceira pessoa com uma quantidade razoável de diálogos.
Incomoda bastante a quantidade de erros, mostrando que, se houve revisão, não foi das melhores.
Também chama atenção o ritmo, como já dito acima, já que muito tempo é gasto com cenas de romance e quase nada sobra para os combates ou para descrever o cenário.

O cenário, inclusive, é outro ponto pouco explorado, afinal o inferno parece um castelo medieval no meio do nada onde há chuveiro elétrico e batatas fritas. Claro que tudo pode ser explicado por mágica, mas também ficou devendo.

CONCLUSÃO: Tenebris se apresenta como uma fantasia cheia de criaturas mágicas, demônios, batalhas, mas entrega um romance adolescente de pouca profundidade. Levou 2,5 estrelas  no Skoob porque é uma obra apenas regular, que não me empolgou em nenhum momento.

Leia se você gosta de romances YA com uma pitada de HOT.

Não leia se você espera mais profundidade na fantasia e na mitologia.

E você leitor? Já leu esta obra? qual sua opinião sobre ela?

E sobre essa resenha? concorda? discorda? quer acrescentar algo?
Então deixe o seu comentário.

Abraços
Dan Folter!
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